17/08/2016 - 11:56

Com saída de Nièden, Serra da Capivara fecha suas portas

Com a decisão, já nesta quarta-feira (17), os visitantes não poderão mais visitar o Parque

Autor: Claryanna Alves

PIAUÍ - Nesta terça-feira (16), a pesquisadora Nièden Guidon anunciou à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) a sua saída da presidência da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), no Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, Sul do Piauí. 

Com a decisão, já nesta quarta-feira (17), os visitantes não poderão mais visitar o Parque. Isso acontecerá porque os 30 trabalhadores restantes deverão deixar os seus postos de trabalho e não mais irá conduzir turistas no local. “O parque não está fechado porque sem ninguém nas guaritas, ele está aberto para qualquer um fazer o que bem entender”, disse a pesquisadora.


Nièden Guidon  Foto: Divulgação/internet


Nièden Guidon há tempos tem buscado chamar a atenção para a falta de investimentos no Parque Nacional da Serra da Capivara, considerado um patrimônio da humanidade.

Em maio deste ano, o ministro do meio ambiente, Sarney Filho, visitou o local e prometeu ajuda através do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), no entanto, até o momento nada foi feito. Segundo uma nota publicada pelo Instituto, existe um recurso na ordem de R$ 969 mil destinados ao Parque, mas esse valor foi bloqueado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

De acordo com Nièden, a situação do Parque vem se agravando cada vez mais desde o ano de 2003, quando ela teve de dispensar 240 funcionários, reduzindo de 270 para apenas 30 trabalhadores.

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“Não temos mais recursos, o salário dos funcionários do mês de junho foi pago com o meu dinheiro pessoal. Eu não ganho nada de ninguém e depois um Patrimônio da Humanidade tem regras bem rígidas a serem seguidas. Se não tiver dinheiro eu não tenho mais nenhuma razão para ficar aqui", disse Niéde.

 

Nota do ICMBio na íntegra

Sobre notícias veiculadas a respeito do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia do Ministério do Meio Ambiente (MMA), responsável pela gestão das unidades de conservação (UCs) federais, esclarece-se que:

1 – O órgão reconhece a importância estratégica da parceria com a Fundação Museu do Homem Americano (Fundham) na gestão do parque e tem total interesse na manutenção da cooperação histórica. Em que pese os esforços impetrados para a renovação da parceria, os recursos na ordem de R$ 969 mil, oriundos de compensação ambiental e destinados à renovação da parceira, estão bloqueados na Caixa Econômica Federal por decisão de acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU).

2 – Logo que essa pendência venha a ser resolvida, o repasse dos recursos será feito. Enquanto isso, o ICMBio buscará garantir as condições de funcionamento da unidade de conservação.

A direção do ICMBio

 

Serra da Capivara

A Serra da Capivara tem grande potencial turístico. É o maior sítio arqueológico aberto do mundo. Estima-se que, após funcionamento do Aeroporto, o Parque seja capaz de receber um milhão de turistas/ano.  De acordo com a Fumdham, o Parque possui grande concentração de sítios arqueológicos, grande parte contendo pinturas e gravuras rupestres, nos quais se encontram vestígios extremamente antigos da presença do homem (100.000 anos antes do presente).


Niede Guidon durante pesquisas arquelógicas. Na foto, encontrados fósseis humanos. Foto: Fumdham


São ao todo 912 sítios cadastrados, sendo 657 com pinturas rupestres. Além disso, possui outros sítios ao ar livre (acampamentos ou aldeias) de caçadores-coletores, aldeias de ceramistas-agricultores, ocupações em grutas ou abrigos, sítios funerários e sítios arqueo-paleontológicos

Além da riqueza arqueológica, o meio ambiente local apresenta vales e planícies, sendo o Parque Nacional Serra da Capivara o único Parque Nacional situado no domínio morfoclimático das caatingas.


Vegetação da Serra da Capivara. Foto: Alexandre Uchôa


Sua fauna e flora específicas são diversificadas e ainda pouco estudadas. É considerada uma das últimas áreas do semiárido detentoras de importante diversidade biológica. As paisagens locais, que expressam uma beleza natural, surpreendem com pontos de observação privilegiados e também contribuem para o desenvolvimento do turismo cultural e ecológico, e, consequentemente, para o desenvolvimento da região.